Especialista explica como atividades lúdicas são essenciais para o desenvolvimento cognitivo das crianças
Os primeiros anos da educação infantil são considerados decisivos para o desenvolvimento das chamadas funções cognitivas, habilidades ligadas à atenção, memória, controle de impulsos e capacidade de resolver problemas. Um levantamento do Ministério da Saúde mostra que cerca de 12% das crianças brasileiras de até cinco anos apresentam suspeita de atraso no desenvolvimento, com dificuldades em áreas cognitivas, motoras, de linguagem ou socioemocionais. Nesse período da infância, experiências de aprendizagem, interação e estímulos adequados têm papel importante na formação de competências como concentração, memória e regulação emocional.
Segundo a psicopedagoga Sabrina Frazão, da Maple Bear Brasília, as crianças chegam à escola preparadas para explorar o mundo e desenvolver diversas habilidades ao mesmo tempo. Por isso, o processo de aprendizagem precisa considerar atividades que estimulem a experimentação e o brincar.
“Nos primeiros anos da educação infantil, as crianças chegam à escola para explorar e desenvolver diversas habilidades. Por isso, é importante que o ambiente escolar ofereça atividades lúdicas e sensoriais, nas quais elas possam aprender brincando”, afirma.
Nos últimos anos, educadores também têm observado um desafio adicional em sala de aula. Crianças que iniciaram o processo de escolarização durante a pandemia podem apresentar lacunas no desenvolvimento cognitivo e socioemocional, reflexo do período de isolamento e da redução da convivência com colegas e professores.
Para Sabrina, recuperar essas habilidades exige estratégias pedagógicas que priorizem o desenvolvimento emocional e as interações sociais. “A pandemia deixou uma lacuna emocional que o conteúdo sozinho não preenche. O brincar precisa voltar a ser prioridade, porque é nos jogos e nas brincadeiras que a criança treina o foco e aprende a lidar com frustrações”, explica.
A especialista destaca que atividades coletivas e momentos de escuta são caminhos importantes para fortalecer vínculos e estimular o aprendizado. “Rodas de escuta e desafios em grupo são estratégias que ajudam a recuperar habilidades importantes. O segredo não é sobrecarregar a criança, é fortalecer a base. Quando ela se sente segura e pertencente ao grupo, o aprendizado flui naturalmente.”
No cotidiano escolar, práticas simples também contribuem para o desenvolvimento das chamadas funções executivas, responsáveis por organizar pensamentos, planejar ações e controlar impulsos. Jogos educativos, leitura compartilhada e atividades de resolução de problemas estimulam não apenas o raciocínio, mas também a convivência.
“A partir dessas interações, as crianças aprendem a se posicionar, entender seus limites e respeitar o espaço do outro. A escola é um ambiente de escuta ativa, em que muitas situações do dia a dia se transformam em oportunidades de aprendizado”, ressalta Sabrina Frazão.
Outro ponto essencial nesse processo é a parceria entre escola e família. Quando existe diálogo e alinhamento nas estratégias de educação, a criança tende a se sentir mais segura e confiante.
“A interação entre escola e família funciona como uma ponte de previsibilidade. Juntos, é possível traçar estratégias para lidar com as necessidades da criança e favorecer seu desenvolvimento. Quando casa e escola falam a mesma língua, ela se sente mais segura para se acalmar e se concentrar”, conclui a psicopedagoga.




