Doravante intitulado Cidadelas (Grupo de Poder Ecofeminino Pró-feminista), a nova proposta de empoderamento feminino do Grupo Poder Ecofeminino, está sendo lançada nas redes por uma campanha de mídia-advocacy composta por uma exposição "cI.dA.delas" com 18 imagens de Inteligência Artificial criadas pelo artista multimídia Fred Le Blue neste mês das mulheres. O material disponível no Instagram do Movimento Artetetura e Humanismo é uma forma de resposta à “epidemia” orquestrada de casos de feminicídio e estupros coletivos no Brasil, estimulados pela filosofia da soberania do macho alfa, disseminada pelo movimento Red Pill, que tem angariado seguidores em todo o mundo.
Visando marcar essa nova fase no ano dos vinte anos da Lei Maria da Penha, a proposta pretende ainda mostrar as mulheres em posição de protagonismo, a partir de situações de risco ou ousadia (“virilidade feminina”), que permitem desnaturalizar a invisibilização e exclusão de gênero dos espaços públicos citadinos. A ideia de utilizar imagens "fortes" de mulheres em situações sugestivas e provocativas de aventura da vida cotidiana, protagonizadas por mulheres, sempre demonstrando força, superação e cuidado, é de chamar a atenção dos homens, que costumam curtir filmes de ação e luta, para as mudanças culturais de papéis sociais ocorridas, bem como reforçar o empoderamento feminino, mostrando o potencial das mulheres enquanto sujeitos da "ação”. Com isso, espera-se que os homens possam se libertar do mito de super-homem para poder olhar com mais delicadeza para os excessos de poder da virilidade masculina e os seus impactos no psiquismo e corporalidade feminina, além de ver com mais naturalidade as mulheres ocuparem locais antes vistos como refratários à sua figura.
Esse convite à desconstrução de valores machistas, patriarcais e paternalistas é um primeiro passo para uma mudança pedagógica de comportamento e atitude de dentro para fora. Sem depender do punitivismo judicial, que, em função das deficiências e perversidades do judiciário brasileiro, tende a reforçar comportamentos igualmente autoritários, a proposta aqui é atuação preventiva e pedagógica, estimulando a adesão espontânea de homens dispostos a uma postura reflexiva em seus relacionamentos e pensamentos sobre mulheres, convidando-os a repensarem seus modelos de masculinidade tóxica e as “pegadas ambientais” causados por eles.
A exposição virtual "cI.dA.delas" de Fred Le Blue é, na verdade, um subproduto de difusão acadêmica e educação extensiva (não-linear) de 2 pesquisas sociais prégressas. Em 2020, ele iniciou um pós-doutorado na Escola de Belas Artes da UFMG sobre direito à cidade com enfoque de gênero, no tocante às áreas de verde urbanizado de BH. Desde então, tem atuado como pesquisador e militante dos direitos das mulheres no espaço político e urbano do Brasil.
Em 2025 liderou também uma pesquisa de especialização sobre os "20 Anos da Lei Maria da Penha" da Escola Legislativa de Goiás, que propõe um balanço de sociologia do direito sobre as razões culturais e jurídicas da ineficácia e não efetividade da aplicação garantista das leis de defesa das mulheres, em meio ao aumento dos casos de feminicídios de mulheres no Brasil nos últimos 5 anos. Em 2022 e 2024, no hiato entre uma pesquisa e outra, Fred Le Blue atuou como militante profeminista na campanha eleitoral, tendo colaborado no meio político goiano para aumentar o número de mulheres agressoras eleitas em Goiás. Nesse período, é que foi criado o grupo Poder Ecofeminino de divulgação científica, cultural e informacional sobre o empoderamento ecofeminino, em prol de uma humanidade mais igualitarista, acessível, sustentável e multicultural.
Em 2024, produziu outra campanha de mídia-advocacy, intitulada “(Re)Eduque os Homens, Puna os Agressores e Empodere as Mulheres", que objetivou, inclusive, incluir mais 5 tipos de violência de gênero no bojo do escopo jurídico-pedagógico Lei Maria da Penha: Institucional, Vicária, Política, Médica/Química e Urbana -, para além da violência Física, Sexual, Patrimonial, Psicológica e Moral. A proposta foi apresentada como ideia legislativa no Senado, tendo sido justificada por ele da seguinte maneira: “A Lei Maria da Penha, apesar dos esforços em enquadrar, de forma geral, todos os casos de violações de direitos das mulheres, tem sido complementada por novas leis, ainda pouco conhecidas, para atender dimensões e demandas femininas específicas mais atuais e mais complexas. Esta ideia legislativa contribui para que haja maior reeducação dos homens, punição dos agressores e empoderamento feminino”.
Atualmente, o aumento dos casos de feminicídio, apesar de o Brasil ter uma das legislações mais rigorosas do mundo, tem sido contraposto aos movimentos neopatriarcalistas de autoafirmação machista misógina no território digital (machosfera), rivalizam com as políticas públicas de proteção feminina, que, por outro lado, tendem, de fato, a um processo de estigmatização generalizadora da figura do homem, o que torna a pauta desconvidativa mesmo para homens não considerados machistas. No contexto global, a ascensão do movimento Red Pill, que foi um dos pilares da eleição de Trump em 2024, tornou-se um refúgio do machista melindrado pelo empoderamento feminino, como demonstra o documentário “Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera”, em que os líderes defendem a submissão feminina incondicional (aceitando, inclusive, a “monogamia unilateral” de seus homens).
Em face desse cenário de polarização radical, o grupo Cidadelas faz uso de uma metodologia pedagógica de arte-artevismo-arteterapêutica em sintonia com propostas inovadoras em políticas públicas de educação em direitos humanos (inclusive dos homens, quando vítimas de abuso de poder, litigância de má-fé, denunciação caluniosa e até violência doméstica). Ao concluir que é preciso ganhar os homens, ao invés de ganhar dos homens, o Grupo tem trabalhado na perspectiva de que o público masculino tem sido ignorado na maioria das campanhas educativas, porque elas só tinham como propósito incentivar a denúncia e o direito das vítimas. Como o resultado dessa estratégia não levou a uma diminuição do número de feminicídios, porque, se quase 100% do problema de violência de gênero diz respeito às atitudes dos homens, eles deveriam ser alvo de 50% do foco das campanhas.
Partido da premissa de que a prevenção consciente, mutação cultural e crescimento psíquico dos homens, como ocorreu com a maioria das mulheres, que passaram a exigir os seus direitos, é o único caminho para que eles cumpram seus deveres cidadãos de respeitar e cuidar das mulheres. A partir da lógica de que o principal causador de problemas de violência doméstica, talvez, deva fazer parte também da solução, o grupo Cidadelas tem mostrado que, mais importante do que preservar lugar de fala, é preservar vidas, que só podem ser salvas por meio de esforços coletivos de 100% dos homens e mulheres. Partindo de uma perspectiva ecofeminista e profeminina, o grupo pretende seguir os seguintes objetivos estratégicos complementares:
1) Combate ao machismo e racismo estrutural e ambiental; gravidez precoce; pobreza menstrual, feminicídio; transhomofobia e violência física, sexual, moral, psicológica, patrimonial, vicária, institucional, política e urbana contra as mulheres;
2) Promoção da igualdade de gênero na política e no mercado de trabalho, e maior inclusão física (trans)feminina segura nos espaços públicos e em áreas abertas de verde urbanizado, e em horários noturnos;
3) Suporte à saúde financeira, mental e espiritual para as populações minorizadas de Direitos, compostas por mulheres, mães solos (atípicas) e LGBTQIA+ através de redes de capacitação laboral e empreendedorística, de apoio psicológico e de economia solidária e cooperativa;
4) Garantia da saúde, bem-estar e direitos sexuais e reprodutivos, por meio de atendimento médico, de educação sexual, de (mídia) advocacy e de liberdade sexual, reprodutiva, social, afetiva e matrimonial;
5) Defesa dos 17 Objetivos de Desenvolvimento da Agenda 2030 (ONU), pois as mulheres são as mais impactadas pelas desigualdades sociais e mudanças climáticas globais, mas também as protagonistas enquanto salvaguardadoras da sociobiodiversidade numa perspectiva antiantropocêntrica;
6) Disseminação de formações preventivas e reeducativas sobre cultura de paz, comunicação não violenta, masculinidade tóxica, paternidade cuidadora, economia do cuidado, remuneração/previdência por serviços domésticos, direitos humanos masculinos, combate denunciação caluniosa no âmbito da LMP e violência feminina contra homens, e promoção de campanhas socioculturais e educomunicativas com linguagem hipertextual para difundir conteúdos sobre o combate ao racismo/machismo ambiental/estrutural e a defesa da justiça climática e de gênero.
Exposição
Instagram: @arteteturaehumanismo




