Parceria entre campo, indústria e universidade mostra como ciência
aplicada, gestão por indicadores e eficiência reprodutiva são pilares dessa
transformação.
Em
apenas oito anos, a Fazenda Bela Vista mais que dobrou a produção de leite,
saltando de aproximadamente 47 mil para 102 mil litros por dia e alcançando, em
2026, a liderança nacional no ranking MilkPoint/Abraleite. No mesmo período, o
rebanho passou de 1.700 para 2.750 vacas em lactação – sem a compra de animais
para expansão. Além disso, a produção média individual avançou de 28 para 42 kg
de leite por vaca por dia: +50%.
O
processo de transformação da Bela Vista foi iniciado em 2018. Naquele momento,
o intervalo entre partos era de 17 meses, com taxas de serviço de
aproximadamente 40% e de concepção de 25%, resultando em taxa de prenhez de
10%. Entre as novilhas, o cenário também apresentava desafios: taxas de serviço
e concepção próximas a 45% resultavam em taxa de prenhez de aproximadamente 20%
e idade ao primeiro parto de 28 meses. Esses números representam baixa
eficiência reprodutiva, o que colaborava para os níveis de produção de leite
aquém do potencial da propriedade.
O
médico-veterinário Tiago Carneiro assumiu a responsabilidade técnica da fazenda
em 2018 e organizou os processos reprodutivos, com base em rotina,
acompanhamento de indicadores e incorporação de estratégias cientificamente
validadas.
Para
isso, contou com apoio do médico-veterinário Carlos Eduardo Cardoso Consentini,
gerente técnico da GlobalGen, mestre e doutor pela EESAL/USP e que, no
doutorado na University of Wisconsin, em Madison (EUA), teve orientação do
professor Milo Wiltbank, pesquisador internacionalmente reconhecido na área de
reprodução de bovinos leiteiros.
Parte
do conhecimento gerado e validado nos estudos de fisiologia e manejo
reprodutivo de rebanhos leiteiros de Carlos Consentini foi posteriormente
incorporado e estruturado pela GlobalGen em seus programas reprodutivos,
criando uma ponte entre universidade, indústria e campo.
Transformar
reprodução em rotina – Uma das primeiras mudanças na Bela Vista foi o estabelecimento de
rotina semanal de manejo reprodutivo. A propriedade passou a utilizar
100% de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) para o primeiro serviço
pós-parto, associada ao diagnóstico de gestação e à ressincronização das vacas
não gestantes para nova inseminação. Os resultados começaram a aparecer
rapidamente. A taxa de serviço ultrapassou 50% já em 2019 e permaneceu em torno
de 54% até 2023.
Em
2024, novo avanço com a implementação da ressincronização precoce, em que o
protocolo de sincronização inicia antes do diagnóstico de gestação e que
permite reduzir em sete dias o intervalo entre inseminações. Associada a outros
ajustes operacionais, essa mudança contribuiu para que a taxa de serviço
alcançasse os atuais 62%.
Após
aumentar a taxa de serviço, o objetivo foi aumentar a fertilidade, com a
implantação de programas específicos para o primeiro serviço pós-parto. Essas
estratégias incluem protocolos de pré-sincronização antes do protocolo de IATF,
buscando melhorar o ambiente endócrino, aumentar a sincronização das vacas e,
consequentemente, elevar a fertilidade no primeiro serviço.
No
início do processo de transformação da reprodução da Bela Vista, a taxa de
concepção na primeira inseminação era de 30% nas primíparas (1ª cria) e 24% nas
multíparas (2 ou mais crias). A partir de 2022, a fazenda implementou o
programa Duplo E-Synch para o primeiro serviço. Esse programa foi desenvolvido
por Carlos Consentini durante suas pesquisas e contou com a colaboração de
Tiago Carneiro nos estudos de campo. Posteriormente, a GlobalGen incorporou
esse programa em suas estratégias e recomendações. Logo após a implementação,
os resultados avançaram e, em 2025 e 2026, a taxa de concepção já no primeiro
serviço atingiu 55% nas primíparas e 42% nas multíparas. A fertilidade no
primeiro serviço é o carro-chefe da reprodução em rebanhos leiteiros e foi
fundamental para a Bela Vista reduzir o intervalo entre partos da propriedade,
de 17 meses em 2018 para 13 meses em 2026.
Avanços
importantes também ocorreram no manejo das novilhas. A partir de 2022 e 2023,
bezerras e novilhas passaram a ser criadas e recriadas em sistema confinado.
Paralelamente, foi sistematizado um programa reprodutivo envolvendo IATF no
primeiro serviço, detecção de cio de retorno e ressincronizações, também
conduzido em uma rotina semanal. A taxa de serviço das novilhas passou para 75%
em 2026. A concepção na primeira IATF evoluiu de 52% para 64%, mesmo com a
utilização de sêmen sexado nesse primeiro serviço. Atualmente, taxas de serviço
de 75% e de concepção geral de 50% resultam em taxa de prenhez próxima a 38%. O
reflexo dessa evolução foi expressivo. A idade ao primeiro parto caiu de 28
meses, em 2018, para aproximadamente 22 meses atualmente.
O
impacto da evolução reprodutiva torna-se ainda mais evidente quando os
indicadores atuais são comparados aos observados no início desse trabalho. Em
oito anos, o intervalo entre partos foi reduzido de 17 para 13 meses, enquanto
a idade ao primeiro parto passou de 28 para 22 meses. Esse aumento na
eficiência reprodutiva colaborou fortemente para a melhoria dos números de
produção do rebanho.
Tiago
Carneiro ressalta que a reprodução precisa ser tratada como parte da estratégia
do negócio, sendo “um dos corações do projeto da fazenda. Com processos bem
definidos e objetivos claros, os resultados aparecem. Avançamos de forma
consistente nos últimos anos e, com o investimento contínuo em programas
reprodutivos, incluindo a IATF, certamente continuaremos melhorando nossos
indicadores de eficiência, fertilidade e produção por vaca."
Para
Carlos Consentini, a experiência da Fazenda Bela Vista demonstra o potencial
existente quando ciência e rotina de campo caminham juntas. "Quando
ciência, manejo e acompanhamento de indicadores estão alinhados, a reprodução
deixa de ser apenas uma etapa do sistema produtivo e passa a ser uma ferramenta
estratégica para o crescimento da fazenda. Mais do que aumentar índices,
investir em reprodução significa construir um rebanho mais eficiente, reduzir
perdas, antecipar resultados e criar condições para que a produção de leite
cresça de forma consistente ao longo do tempo."
Sobre
a Fazenda Bela Vista – Fundada em 1960 por Olavo Barbosa, a Fazenda Bela Vista
consolidou-se como uma das mais tradicionais propriedades leiteiras do Brasil.
Ao longo de sua história, a propriedade investiu continuamente em gestão,
pessoas, genética, bem-estar animal, qualidade do leite, tecnologia e inovação.
Pioneira na produção de leite Tipo A e dona da marca Fazenda Bela Vista, a
propriedade alcançou, em 2026, a liderança do ranking nacional de produção de
leite MilkPoint/Abraleite. O resultado é fruto de processo contínuo de evolução
do sistema produtivo, baseado em gestão profissional, melhoria dos indicadores
zootécnicos e incorporação de tecnologias voltadas à eficiência,
sustentabilidade e rentabilidade da atividade leiteira.
Sobre
a GlobalGen – Com dez anos de atuação no mercado, a GlobalGen é uma empresa
brasileira especializada em biotecnologias aplicadas à reprodução animal, com
atuação no desenvolvimento de soluções e programas voltados ao aumento da
eficiência reprodutiva de rebanhos de corte e leite. A empresa integra
pesquisa, desenvolvimento e assistência técnica com o objetivo de aproximar
conhecimento científico e rotina de campo, transformando resultados de pesquisa
em estratégias aplicáveis aos sistemas comerciais de produção. Entre suas
iniciativas está o Programa Reprodutivo G-Synch, que reúne protocolos e
estratégias reprodutivas cientificamente validados e adaptados às condições dos
sistemas de produção brasileiros. Ao lado de produtores, médicos-veterinários,
consultores e instituições de pesquisa, a GlobalGen atua na aplicação de
tecnologias reprodutivas e no acompanhamento de indicadores, buscando
contribuir para sistemas de produção mais eficientes, produtivos e
competitivos.





