Para Rafic Júnior, empresário e especialista em alta performance, a mudança no comportamento do público exige decisões antecipadas e estruturas preparadas para uma temporada comercial mais longa
A Black Friday de 2026 acontece oficialmente em 27 de novembro, porém a movimentação já começa semanas antes. Pesquisa realizada pela LWSA, empresa brasileira de tecnologia voltada ao comércio digital, com 1.044 brasileiros mostra que 50% iniciam a busca por ofertas com mais de 30 dias de antecedência, enquanto 20% concentram as compras na sexta-feira. O cenário amplia a janela de oportunidades para o comércio e modifica a forma como marcas devem organizar suas ações.
Para Rafic Júnior, empresário, mentor e especialista em alta performance, a transformação no comportamento de compra exige uma visão mais ampla sobre o período promocional.
“A disputa começa quando a pessoa abre o celular para pesquisar, muito antes de decidir pela compra. Quem entende esse movimento consegue trabalhar presença, confiança e percepção de valor ao longo de toda a jornada”, afirma Rafic.
A pesquisa aponta ainda uma jornada pulverizada entre diferentes canais. Os marketplaces são utilizados por 56% dos entrevistados como ponto de partida, seguidos pelos sites das marcas, com 42%, e aplicativos próprios, com 33%. Ferramentas de inteligência artificial também participam desse processo: 13% dos entrevistados recorrem a recursos como ChatGPT, Gemini e Claude para pesquisar produtos.
Esse comportamento aumenta a importância da integração entre estoque, logística, atendimento, comunicação e fluxo financeiro. Cada etapa precisa acompanhar o volume gerado pela procura e a expectativa criada junto ao público.
“Uma oferta agressiva pode colocar milhares de pedidos dentro do sistema em poucas horas. O resultado depende da capacidade de transformar essa procura em entrega, satisfação e relacionamento. É aí que gestão deixa de ser bastidor e passa a determinar o resultado”, explica.
A experiência durante a compra também influencia a continuidade da relação com as marcas. Segundo o levantamento, 50% dos participantes afirmam que atrasos excessivos fariam com que deixassem de comprar novamente em determinada loja. Atendimento ruim ou demorado aparece para 45% como outro motivo para interromper a relação.
A movimentação financeira merece atenção diante da distribuição das compras ao longo do mês. Margem, capital de giro e quantidade de produtos disponíveis precisam ser acompanhados de forma conjunta para evitar decisões desconectadas da realidade do negócio.
“Volume não é sinônimo de resultado. O caixa precisa acompanhar o crescimento, a margem precisa ser preservada e o estoque precisa estar alinhado à procura. Uma operação saudável transforma movimento em resultado”, destaca Rafic.
O período anterior à data oficial também oferece informações relevantes para quem acompanha o comportamento do público. Pesquisas, acessos e interações podem indicar quais produtos despertam maior interesse e quais mensagens geram mais resposta.
“Cada movimento registrado antes da data entrega uma informação estratégica. O mercado sinaliza o que quer, e cabe à liderança interpretar esses sinais rapidamente para ajustar a rota”, afirma.
Com a concentração das compras distribuída por várias semanas, a Black Friday assume características de uma temporada comercial. A mudança coloca gestão, experiência e capacidade de execução no centro das decisões do varejo.


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