Por Victor Paulo Silva
Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB)
Os resultados da
pecuária no Brasil mostram que estamos no caminho certo, mas também deixam
claro que os desafios aumentaram. Em 2025, o Brasil registrou um novo recorde
nas exportações de carne bovina, com 3,5 milhões de toneladas embarcadas para
177 países, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio
e Serviços (MDIC). É uma conquista importante, que mostra a força da nossa
produção. Entretanto, isso também traz mais responsabilidade para quem está
dentro da porteira. Quanto mais espaço a carne brasileira conquista no mundo,
maior é a cobrança por qualidade.
Essa mudança tem
transformado a forma como enxergamos a pecuária. Se, há alguns anos, investir
em genética, manejo e eficiência era visto como um diferencial, agora esses
fatores passaram a ser indispensáveis. Quem pretende permanecer competitivo
precisa entregar um produto cada vez mais alinhado às demandas da indústria e,
principalmente, dos consumidores, que buscam carne de qualidade, produzida com
responsabilidade.
Essa evolução não
aconteceu por acaso. Ela é fruto de um trabalho realizado por produtores,
técnicos da área, pesquisadores e entidades que acreditam na melhoria dos
sistemas de produção. A raça Nelore ocupa um papel de destaque nisso tudo. Ao
longo das últimas décadas, a seleção genética permitiu avanços em
características como fertilidade, ganho de peso, rendimento de carcaça,
marmoreio e precocidade, tornando o Nelore um dos grandes responsáveis pela
competitividade da pecuária.
Só que a qualidade não
se constrói apenas no discurso. Ela precisa ser medida, comparada e
aperfeiçoada. É exatamente esse o intuito do Circuito Nelore de Qualidade,
iniciativa da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), que se
destaca como o maior campeonato de avaliação de carcaças bovinas do mundo.
Os números da edição de
2025 mostram a dimensão desse trabalho. Ao longo do ano, foram avaliados 49.700
animais em etapas realizadas em 12 estados brasileiros, além do Paraguai e da
Bolívia. Ao todo, 388 pecuaristas participaram da iniciativa. O Circuito ainda
registrou dois recordes históricos. O primeiro em Diamantino (MT), com 5.908
animais avaliados, e, logo depois, em Mozarlândia (GO), onde 6.650 bovinos
passaram pela avaliação. Para este ano de 2026, nossa expectativa é
superar os resultados: em sete etapas de um total de 38, já analisamos cerca de
6 mil carcaças.
Esse é um dos maiores
avanços da pecuária nos últimos anos. O produtor deixou de olhar apenas para o
volume produzido e passou a enxergar valor nos indicadores que impactam a
rentabilidade da fazenda. Hoje, entender o desempenho das carcaças, acompanhar
índices e investir em genética são medidas que fazem parte da gestão.
O Nelore tem
demonstrado, ano após ano, que está preparado para responder a esse desafio.
Tenho certeza de que esse movimento continuará nos próximos anos. A
competitividade da pecuária dependerá, cada vez mais, da capacidade de produzir
animais superiores e de utilizar informações para orientar decisões dentro da
fazenda. O Circuito Nelore de Qualidade mostra que esse caminho já está sendo
percorrido por centenas de produtores, e os resultados comprovam que investir
em qualidade gera retorno.




