FILME DE LE BLUE VALORIZA O METAL MINEIRO DA MAIOR BANDA BRASILEIRA

 “Nascimento in Sepultura: um natimorto matusalém" será lançado dia 6 no canal https://www.youtube.com/FredLeBlue (@arteteturaehumanismo)

Foto: Acervo/divulgação


O Clube da Esquina surgiu em BH, cidade ortogonal planejada, em meio a um terreno acidentado repleto de montanhas inesperadas, que torna a altitude uma informação útil a constar no GPS. Repleta de infinitas esquinas, como a da Rua Paraisópolis com Divinópolis, onde nos anos 60, no católico Bairro de Santa Tereza, surgiu um ideal de pólis mais participativo. Nesse microterritório, liderado pelo carioca mineral Milton Nascimento, um dos maiores movimentos musicais da MPB e do rock brasileiro (Lô Borges, Beto Guedes e 14 Bis), surgiu de Minas para o mundo, mostrando uma nova forma de ressignificar o espaço urbano e político. Provando que um raio pode cair 2 vezes no mesmo local, em 1983 surgiu em Santa Tereza a banda metaleira mais famosa do Brasil, Sepultura, que à exemplo de Minas, passou a exportar o black metal brasileiro, sendo reconhecida internacionalmente. Formada pelos mineiros Paulo Xisto e Jade Guedes e os irmãos paulistanos Max e Igor Cavalera, que eram vizinhos da casa da Família Borges -, ancoradouro afetivo dos integrantes do Clube da Esquina -, logo, se tornaria um local de peregrinação de camisetas-pretas, o que contribuiu para transformar BH na capital do black, death e thrash-metal no Brasil.

Este novo doc da série "Terra-Pia Musi-Caos" de Fred Le Blue tenta, a partir de fragmentos do arquivo público virtual sobre o (re)nascimentos e "sepultamentos" da banda Sepultura e suas raízes e rejeitos sagrentos, que denotam uma brasilidade também rítmica e folclórica afroindígena pós-colonial, como celebrado no disco "Roots" (1996), por meio da participação do baiano Carlinhos Brown (Timbalada). O intuito desse almanaque audiovisual que faz uma arqueologia das pérolas e dos rejeitos do metal mineiro-paulistano é suscitar um debate filosófico e teológico sobre a complementaridade dos arquétipos do sagrado (católico) e profano (satânico) no inconsciente coletivo, a partir da superação, por exemplo, de falsas antinomias entre a voz angelical-pueril plástico-escultural de Milton do Nascimento e a gutural-apocalíptica arte-reciclável de Max do Sepultura, no que aponta para o processo de individuação (introversão-extroversão) em busca de equilibrar o self, proposto por Jung. Ambos os expoentes da MPB e do Metal Impopular Brasileiro de Santa Teresa -, respectivamente, assim como também é o Skank, da Música Pop Brasileira, que seria uma espécie de terceira margem desse rio musical belo-horizontino polarizado -, refletem aa capacidade polivalente e antropofágica da cultura brasileira e mineira em assimilar elementos estéticos e sociais "vanguardísticos" e ressignificá-los de formas autênticas e acessíveis, inspirado por seu "som-local". E mais que isso, a possibilidade integeracional de lealdades e conflitos simbólicos e políticos entre gerações e sons tão distintos, porém conectadas e embevecidos de um mesmo espaço cultural geoafetivo pulsante e ressonante, no caso, Minas Gerais com seus Cristos e Anticristos, altos e baixo, claros e escuros (barroco mineiro), berços e covas.

O filme é uma produção do compositor, cantor e baterista Fred Le Blue, que dirigiu os clipes do projeto COMVERSOM de versões de clássicos do rock em português, como “Silent Man” do Dream Theater e “Wild Horse” do Rolling Stones , bem como, os documentários "O Processo de Metamorfose de Geraldo V." e Anjos Choram na Terra Sagrada de Andre Matos”.

“NASCIMENTO IN SEPULTURA (parte 1 + Nascimento)" - BRA, 2023, 55`

Dia 06 de janeiro (sábado) às 16:00 hs

Link: https://youtu.be/YnNaMqhpdvs

Trailer-Clip Parte 1: https://youtu.be/N8pyXpNpw5k


“NASCIMENTO IN SEPULTURA (parte 2 + Sepultamento)" - BRA, 2023, 55`

Dia 13 de janeiro (sábado) às 16:00 hs

Trailer-Clip Parte 2: https://youtu.be/5USeRIWshDc

Link: https://youtu.be/XPpboB7QPqk

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